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  • INTRODUÇÃO AO CURSO:

 

Muito se discute sobre a religiosidade no Brasil, infelizmente, com forte componente fundamentalista, transbordando para o cenário político e midiático brasileiro. Normalmente, as questões de base para tais embates acabam voltando-se para a construção de estereótipos e sustentadas, com frequência, em limitados conhecimentos e visões superficiais.

A base histórica cristã romana tradicionalista, associado ao crescimento desenfreado de um evangelicalismo radical, ambos com forte componente proselitista e excludente, ainda perpassam pela visão e compreensão de boa parte dos brasileiros.

Não se pode negar, a heterogeneidade que se vem constituindo o campo religioso brasileiro, indo além da matriz cristã, e nesta, apesar de sua raízes histórica e cultural ter um forte componente cristão romano, o dito católico, vem passando por um importante processo de expansão a partir do século XX, apontando para uma “ reconfiguração do campo religioso nacional”,  com um catolicismo plural e diverso, sincrético e heterogêneo. Mesmo no contexto das tradições cristãs, composta por um verdadeiro mosaico de experiências religiosas, nem sempre, seus seguidores leigos, e boa parte de seus lideres religiosos, possuem clareza e adequado conhecimento de suas bases históricas, teológicas, e litúrgicas, frequentemente reportando-se ao conhecimento comum ou compartilhado pela vivência familiar ou comunitária.

Mais especificamente, as igrejas protestantes e evangélicas, com sua pluralidade e diversidade, apresentam um perfil que se caracteriza pela destacada diversidade. Tal realidade agiganta-se quando focamos as denominações originárias de outros países, as quais, comumente, mesclam-se com as históricas e aspectos culturais locais. Sabemos da longa e complexa construção do protestantismo histórico-tradicional no Brasil, relacionada, tanto às atividades missionárias como às colônias de imigrantes que aqui chegaram. Assim sendo, evidencia-se uma complexa dinâmica entre as raízes estrangeiras do protestantismo no País, associado às matizes religiosas locais, configurando-se em distintas e, em alguns casos, conflituosas vertentes.

Como destaca Rodrigo Franklin de Sousa, “o conflito entre a manutenção dos valores identitários (sejam eles étnicos ou doutrinários) de cada grupo e as contingências da cultura em que ele está inserido podem ser descritos em termos de um choque ou de uma negociação”. Tais consequentes tensões evidenciam-se, especialmente, no cotidiano das religiões que, apesar de majoritárias em outros locais, assumem um papel minoritário no Brasil, tais como as Igrejas Ortodoxas, Anglicanas e outras. Seus seguidores tradicionais, imigrantes e descendentes, têm a clareza de seu contexto, diferentemente de seus recém integrantes brasileiros, culturalmente “impregnados” pela religiosidade tradicional e majoritária.

Uma religião que em sua identidade perfila o isolacionismo tende, no cotidiano de sua prática, ao sectarismo e ao fanatismo, alimentando o temor do impacto de outras denominações. Evidencia-se uma crise com a própria identidade aquelas que, excessivamente, valorizam, superestimando ou subestimando, o modo de ser das outras. Como nos lembra Dom Robson Cavalcante, “a pertença a uma instituição religiosa se dá por tradição, por acomodação ou por opção”, fazendo-se necessário, para tanto, independente da via de acesso, o adequado conhecimento da história e da bagagem teológica, litúrgica, eclesial e missionária (aspecto este, aqui, visto de forma ampliada – lato sensu). 

Nesse contexto, contextualiza-se a Igreja Anglicana no Brasil, sendo ela a mais antiga igreja cristã não romana no País. Entretanto, pode-se dizer, infelizmente, que, no campo religioso brasileiro, sua existência, frequentemente, passa desapercebida.

Seu ramo mais antigo no País é a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a mais capilarizada delas e a única que está vinculada à Comunhão Anglicana. Sabemos, porém, que os diversos ramos do anglicanismo, sejam eles compostos por aquelas inseridas na Comunhão Anglicana, pelas igrejas livres e pelas que participaram e ainda participam dos Movimentos Continuante e Convergente, para que possam ser consideradas como anglicanas, sem discriminação, exclusão ou preconceito, necessitam apresentar o que se chama de ethos anglicano, marcas características dos seus diversos ramos que representam a manutenção de suas origens, em que pese as distinções estabelecidas ao longo do tempo.

Diferentemente do que muitos imaginam, incluindo diversos membros de suas comunidades, levados, em grande parte, pela historiografia oficial ensinada por algumas denominações religiosas e educacionais, especialmente as de tradição romana, o anglicanismo é uma igreja viva e intensa, cuja origem e identidade próprias foram sendo desenvolvidas ao longo de quase dois mil anos, caracterizando-se por uma comunidade de igrejas autocéfalas, compartilhando certos elementos que costumam ser chamados de “laços de afeição”.

 
  • CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

 

Este curso se propõe a apresentar os principais aspectos históricos do anglicanismo, desde sua origem celta, passando pela sua romanização, envolvendo os momentos da pré-reforma de John Wycliffe, sua relação com a Reforma e a apropriação de seus princípios, sua evolução ao longo do período medieval e como chega aos nossos dias, com seus diversos ramos e suas principais características. Associado ao aspecto histórico, abordaremos a forma com que o anglicanismo vê e utiliza a Bíblia como indicativo cotidiano, que vai além dos momentos litúrgicos e períodos de oração, públicos e privados, bem como a sua utilização no exercício missionário cristão rotineiro, por meio de palavras e ações ao levar seu conteúdo ao mundo que o cerca, sendo, no entanto, levantadas as principais distinções, nesse aspecto, dos ramos anglicanos existentes. Abordaremos, também, as bases teológicas do anglicanismo, trazendo à discussão a construção de sua identidade, sua espiritualidade e sua destacada vocação ecumênica e inclusiva. Também será abordada, no curso, sua liturgia, como se desenvolveu, suas bases e sua aplicação rotineira, bem como as peculiaridades nos principais ramos anglicanos.

Resume-se, então, seu conteúdo da seguinte forma, totalizando 180h:

1. Principais aspectos históricos do anglicanismo (80h - duração de 8 semanas)

1.1. Anglicanismo - uma Igreja cristã

1.2. Dos primórdios da religiosidade cristã até o surgimento do cristianismo e sua expansão inicial pela Britânia.

1.3. O período católico-romano da Igreja nas Ilhas Britânicas

1.4. Reforma da Igreja na Inglaterra e o desenvolvimento da Igreja Anglicana

1.5. Algumas experiências na expansão do anglicanismo fora da Inglaterra, a Comunhão Anglicana e sua chegada e evolução no Brasil

2. A Bíblia para o anglicanismo (40h - duração de 4 semanas)

2.1. Aspectos básicos da hermenêutica bíblica anglicana

2.2. A Bíblia e a missão anglicana

3. A Espiritualidade anglicana (40h - duração de 4 semanas)

3.1. Identidade anglicana – sua construção

3.2. A vocação ecumênica do anglicanismo

4. A liturgia anglicana (20h - duração de 2 semanas)

 
  • METODOLOGIA:

 

Nossa metodologia busca a interação entre professores, alunos e colaboradores, integrando, sempre que possível, o conhecimento teórico com a vida prática e a espiritualidade cristã. O conteúdo de seus cursos contará com recursos acadêmicos diversos que possam enriquecer o aprendizado do patrimônio teológico cristão e o exercício de sua espiritualidade, em um contexto plural cultural e religioso existente.

Inicialmente, o curso será disponibilizado apenas na modalidade à distância, contando com aulas expositivas em vídeos e/ou textos especialmente preparados (Caderno de Estudo Específico - CEE) referentes à cada Módulo, sendo um material básico, sólido e de fácil assimilação, contendo os principais conceitos e definições sobre o assunto a ser estudado. Ele será sempre acompanhado de indicações bibliográficas para seu aprofundamento, bem como livros e trabalhos publicados, mesclados, sempre, com atividades e trabalhos a serem desenvolvidos individualmente pelo aluno, compondo, assim, a totalidade dos créditos estabelecidos.

Dessa forma, o aluno estuda, pesquisa, dialoga com os colegas e com o professor, apresentando os trabalhos intermediários (TI) e trabalho de conclusão da disciplina (TCD), todos indicados no CEE, e, ao término do módulo, responde as questões apresentadas no Caderno de Avaliação (CA) respectivo. A avaliação do aluno será pautada, principalmente, na participação das discussões, na realização das atividades indicadas e nas provas elaboradas para cada módulo.

No decorrer dos estudos do curso, a relação de cada aluno dar-se-á com os professores responsáveis indicados, devendo, em tal relação, ser estabelecido um diálogo construtivo, harmonioso e fraterno. Será, também, estimulado pelos professores, uma relação de construção conjunta entre os alunos, possibilitando, assim, a interação entre eles, bem como a troca de experiências e de reflexões.

 
  • INVESTIMENTO:

 

  • O primeiro curso será gratuito e terá início no dia 6 de abril de 2020.